O Ictio

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O ictio ou doença dos pontos brancos é uma das doenças mais comuns na aquariofilia e raro é o aquariofilista que não a teve já de combater.

A doença é provocada por um ectoparasita, Ichthyophthirius multifilis, que ataca a pele, as barbatanas e as brânquias dos peixes. No corpo pode ser detectada pela presença de pontos brancos e nas brânquias pela produção de muco.

O parasita, na sua fase de maturação, é relativamente grande (tendo para cima de 1000 µm), tem cor escura, move-se com movimentos vibratórios e a sua taxa de reprodução é exponencial.

Apesar do seu tamanho relativamente grande, os pontos brancos não são propriamente imagens dos parasitas mas a presença de fungos que se aproveitam das feridas que ele provoca.

A entrada do parasita no aquário é normalmente provocada pela introdução de novos peixes sem quarentena e por descidas bruscas da temperatura que acontecem no Inverno. Por isso, é importante que se faça quarentena sempre que se introduza novos peixes no aquário e não se deixem ocorrer descidas repentinas na temperatura da água.

Para se combater a doença é preciso conhecer-se o ciclo de vida do parasita.

Quando introduzido no aquário ou despoletado pela debilidade do sistema imunológico do peixe devido a descidas de temperatura, o cisto penetra a epiderme do hospedeiro e, nesta fase, desenvolve-se alimentando-se dele, deixando-o cada vez mais debilitado. Os pontos brancos aparecem entretanto provocados pelo aproveitamento dos fungos. Com o tempo o parasita penetra nas brânquias do peixe originando a produção de muco pelo sistema imunológico na sua defesa podendo levá-lo à asfixia. Nesta fase é muito difícil salvar os peixes pois estão de tal forma enfraquecidos que deixam de se alimentar e os cistos são resistentes a tratamentos químicos.

Ao atingir a fase adulta os cistos soltam-se do hospedeiro e voltam ao fundo do aquário envolvendo-se numa cápsula gelatinosa onde se multiplicam exponencialmente em poucos dias. Esta cápsula protege os novos cistos até estes estarem prontos para se soltarem e voltarem a atacar outros peixes, ou os mesmos que ainda não tenham morrido.

É na fase em que está no fundo do aquário envolto na massa gelatinosa que o parasita tem um ponto fraco. A gelatina não consegue solidificar a temperaturas acima dos 28ºC e, se não a se deixar solidificá-la, o parasita não se consegue reproduzir. Tem-se então o problema resolvido bastando para isso evitar que o parasita se reproduza mantendo a água do aquário acima dos 28ºC durante pelo menos 18 dias.

O controle do número de parasitas no hospedeiro pode ser reduzida através da aplicação de sal ou pelo uso de medicamentos existentes no mercado de aquariofilia à base de Verde de Malaquite mas sempre acompanhados pela subida da temperatura acima dos 28ºC. No caso do sal a dose recomendada é de uma colher de sopa por cada 40 litros de água mas é preciso ter em conta que algumas espécies de peixes não o suportam (Corydoras e a generalidade dos Loricarídeos) e que as plantas aquáticas não toleram elevados teores de sal na água. Recomenda-se o uso de sal próprio para aquariofilia. O uso de medicamentos à base de Verde de Malaquite também só se recomenda em casos avançados da doença.

No entanto, em alguns casos, os peixes podem ainda não estar a salvo uma vez que no seguimento da infestação de Ichthyophthirius multifilis no aquário, os mais debilitados ficam vulneráveis a ataques de bactérias e fungos. Neste caso é necessário socorre-los com tratamentos químicos. O ideal será a retirada destes peixes para um aquário hospital e usar um medicamento de largo espectro que trate os peixes deste tipo de enfermidades.

Com este pequeno texto espero ajudar alguns aquariofilistas no tratamento do ictio. Assim que surgir a doença não se deve entrar em pânico e proceder por impulso colocando medicamentos no aquário. Deve-se começar por aumentar lentamente a temperatura da água até ela atingir os 29ºC e esperar que a doença dê sinais de retroceder respeitando o período de 18 dias. Só no caso de se detectar a doença já em fase avançada será necessário recorrer a medicamentos.

Fonte:
Floyd, Ruth Francis; Introduction to Freshwater Fish Parasites; University of Florida; Circular 716; 1999.

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