Nome em português: Camarão-filtrador africano, Camarão-negro, Lagosta filtradora, além de nomes regionais (como Coruca)
Nome em inglês: Gabon Shrimp
Nome científico: Atya gabonensis Giebel, 1875

Origem: Face atlântica da África, América do Sul
Tamanho: machos adultos chegam a 14 cm
Temperatura da água: 23-28° C
pH: 6.5-7.6

Dureza: média a dura
Reprodução: primitiva, necessita de água salobra para as larvas
Comportamento: pacífico
Dificuldade: médio

Importante!!

As duas espécies de camarões-filtradores nativos (Atya) eram espécies listadas como “vulneráveis” pela versão antiga do Livro Vermelho do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e IBAMA (2004). Em Dezembro de 2014 o MMA publicou uma nova Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção, nesta nova lista, o Atya gabonensis não consta como uma espécie ameaçada, mas é mencionada na categoria “dados deficientes” (categoria DD pelo IUCN).
            Desta forma, a rigor, sua coleta e manutenção em cativeiro passam a ser legalmente permitidas, mas sugerimos fortemente que não sejam feitas, ao menos por ora, dada que a espécie não mostra informações suficientes para a avaliação adequada do seu grau de ameaça.

Apresentação

Das onze espécies de Atya, duas ocorrem no Brasil, A. scabra e A. gabonensis. Estas duas também são as únicas ocorrendo no continente americano e africano, sendo considerada uma prova da separação dos continentes na era Mesozóica.

Este animal tem importância econômica em algumas regiões da África, fazendo parte da alimentação de populações ribeirinhas. Porém, de forma curiosa, algumas comunidades pesqueiras (como os pescadores Ijaw do Rio Osse) evitam a coleta destes animais, que são considerados “espíritos protetores” dos camarões.

Às vezes é encontrado à venda como “lagosta filtradora”, talvez pelo seu grande tamanho e aspecto impressionante das primeiras patas ambulatórias, parecidas com garras (um nome alternativo em inglês é “vampire shrimp”). Mas é um nome errôneo, é uma espécie de camarão, parente dos pequeninos Potimirim e Caridina.

Etimologia: Atya vem do nome do rei mitológico grego Atys; gabonensis significa nativo do Gabão.

Origem

O Atya gabonensis ocorre na face atlântica da África e América do Sul. Na África pode ser encontrada desde o Senegal ao Zaire, (principalmente nas bacias dos rios Niger e Volta), e na América ocorre no Suriname, Venezuela e Brasil (Piauí, Alagoas, Sergipe e São Paulo).

Vive em rios com rápida correnteza e alta concentração de oxigênio, geralmente com substrato rochoso. São mais raros do que os A. scabra.

Suas larvas têm parte do seu ciclo de vida em água salobra, desta forma ocorrem somente em rios conectados ao mar. Pelo mesmo motivo, não são comuns em locais muito afastados da costa.

Aparência

São camarões grandes e robustos (machos atingem 14 cm, fêmeas 9 cm), corpo relativamente curto e volumoso se comparado com outros camarões, com cabeça desproporcionalmente pequena. Os dois primeiros pares de pernas são adaptados para filtrar a água e capturar alimentos em suspensão, com tufos de pêlos em forma de leque nas extremidades. As primeiras pernas ambulatórias são grossas e com espinhos curtos, para se ancorar firmemente ao substrato, por viverem em locais de forte correnteza.

Rostro bem curto. A carapaça possui os espinhos antenal e pterigostomal, mas este último atrófico, um sinal que ajuda na sua distinção do A. scabra.

Mostra uma coloração cinza escura, pode ser puxado para marrom ou azul, com um aspecto monótono, sem padronagens.

A distinção de exemplares maiores com o Atya scabra geralmente é fácil, e baseada nos seguintes aspectos: Um padrão mais esculturado da carapaça, mesmo em juvenis, com cristas e carenas longitudinais junto à cabeça. Numa visão ventral do abdômen, o esterno do quinto segmento abdominal mostra uma projeção mediana curva, orientada posteriormente, semelhante a um chifre. Este ultrapassa a metade do sexto segmento, inclusive limitando a flexão neste local. Mostra um bico ocelar, que é uma proeminência alongada entre os olhos, parece uma lâmina. Seu telso é mais largo e quadrado.

Em exemplares juvenis pode ser difícil esta distinção, inclusive pode haver confusão também com Potimirim se forem animais muito pequenos.

Curiosamente indivíduos das populações africana e americana destes camarões são idênticos, indistinguíveis.

Parâmetros de Água

Originam-se de rios e córregos com rápida correnteza, e alta concentração de oxigênio, demandando estas condições mesmo em aquários. Em tanques sem correnteza, irão procurar locais com maior movimentação de água, geralmente se alojando junto à saída de filtros.

É uma espécie relativamente sensível, em especial em relação à dureza da água (ao contrário do A. scabra), vivendo melhor em águas de dureza moderada a alta (GH de 6-20º). A temperatura ideal é entre 23 e 28° C, pH de 6,5 a 7,6. Como outros camarões, são bastante sensíveis a compostos nitrogenados, e metais pesados são mortais para estes animais.

Dimorfismo Sexual

Não é muito evidente, as fêmeas tendem a ser menores, e possuem pleuras abdominais arqueadas e alongadas, formando uma câmara de incubação. Também podem ser diferenciados pela análise dos órgãos sexuais, mas isto é bem difícil em animais vivos.

Algumas fontes descrevem que a primeira perna ambulatória é maior e mais robusta nos machos, talvez tendo um papel em disputas hierárquicas entre machos.

Reprodução

Assim como todos os outros Atya, o A. gabonensis é uma espécie com reprodução primitiva, gerando ovos pequenos e em grande número, dos quais nascem formas planctônicas de nado livre. As formas larvares dependem de água salobra para seu adequado desenvolvimento, o que limita bastante sua reprodução em cativeiro. O ajuste da salinidade é difícil, assim como a alimentação nas primeiras fases larvares.

A fêmea passa por uma muda pré-acasalamento, e logo após o macho deposita seu espermatóforo. Após a ecdise, a fêmea libera os ovos, que são fertilizados e se alojam nos pleópodes. Uma fêmea em boas condições produz cerca de 12 mil pequenos ovos, medindo cerca de 0,6 x 0,4 mm. Reproduz-se ao longo do ano, com picos em épocas chuvosas.

As larvas são liberadas, medindo cerca de 1,7 mm ao nascerem. Ainda durante a primeira fase de zoea são levadas pela correnteza até os estuários, e após cerca de 10 a 12 dias chegam o seu destino, encontrando um ambiente favorável para seu desenvolvimento. Somente nos estuários realizam a muda para a segunda fase de zoea, não se alimentando por todo este período. As larvas se desenvolvem melhor em ambientes de maior salinidade em comparação com outros camarões, de cerca de 3,0% (somente como referência, a salinidade da água do mar é de 3,5%), o que leva alguns autores a acreditarem que o desenvolvimento larvar se dê no mar, e não em estuários. O desenvolvimento larvar do A. gabonensis ainda não foi bem estudado em artigos científicos, embora existam alguns relatos bem documentados entre aquaristas. Baseado em outras espécies de Atya, acredita-se que as larvas passam por cerca de 12 estágios, e após um período de 20 a 30 semanas se desenvolvem em pós-larvas.

Após se transformarem em pós-larvas, começam a migrar rio acima, chegam ao seu destino já adultas, e sexualmente maduras. São longevos, há registros de animais mantidos em aquários por mais de 5 anos.

Comportamento

Pacíficos, não brigam com outros animais nem com camarões da mesma espécie. Tornam-se vulneráveis após a ecdise, quando podem ser atacados por animais mais agressivos. Alguns autores descrevem um comportamento gregário, especialmente em indivíduos jovens.

Hábitos noturnos, principalmente adultos. O aquário deve proporcionar esconderijos para que possam se esconder durante o dia. Podem cavar tocas rasas no substrato, geralmente sobre rochas. São “desengonçados”, podem arrancar plantas e desorganizar o layout do tanque.
Alimentação

Alimentação onívora e detritívora, filtrando material orgânico com suas patas adaptadas. Com movimentos contínuos de preensão, partículas em suspensão são coletadas, e levadas à boca.

Por este motivo, vive melhor em tanques antigos e bem maturados, com maior riqueza de microalgas e zooplâncton. Porém, sua dieta deve ser complementada com pequenos animais como Artêmias e Dáfnias, além de ração industrializada pulverizada.

  • Bibliografia:
    Melo GAS. Manual de Identificação dos Crustacea Decapoda de água doce do Brasil. São Paulo: Editora Loyola, 2003.
  • Hobbs HJJ, Hart CWJ. The Shrimp Genus Atya (Decapoda: Atyidae). Smithsonian Contributions to Zoology, 1982, (364): 1-153.
  • Nwosu FM. Aspects of the Biology of the Gabon Shrimp Atya gabonensis, Giebel 1875 in the Cross River, Nigeria. Journal of Fisheries International. 4(4): 58-61, 2009.
  • Machado ABM, Drummond GM, Paglia AP. Livro vermelho da fauna brasileira ameaçada de extinção – 1.ed. – Brasília, DF : MMA; Belo Horizonte, MG : Fundação Biodiversitas, 2008. 2v. (1420 p.): il. – (Biodiversidade ; 19).
    http://www.fao.org
  • http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/

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